DEZ DESCOBERTAS ACIDENTAIS QUE CRIARAM GRANDES FORTUNAS
A grande maioria dos artigos que escrevi aqui no Empresários Anônimos fala sobre imprevisibilidade, aleatoriedade e serendipidade. Alguns entendem tudo isso simplesmente como: sorte. Vamos então falar aqui de dez homens engenhosos, cujas descobertas acidentais geraram grandes fortunas. É importante lembrar que, apesar das descobertas terem sido obra do acaso, não foi por acaso que elas geraram lucros. Estas descobertas são exemplos de como a criatividade e o investimento em pesquisa e desenvolvimento, com um pouquinho de sorte, podem alavancar as empresas e fazer bilhões!
1. FRANK EPPERSON – PICOLÉ

Frank Epperson e sua criação (o picolé, não a garota) em foto de gosto duvidoso
Com onze anos de idade, Frank Epperson se tornou parte do folclore americano quando, numa noite fria do inverno de 1905, ele deixou em sua varanda um copo de suco com um palito de misturar drinks dentro. Na manhã seguinte, ele descobriu que havia criado acidentalmente o primeiro picolé. Mas foi apenas 18 anos mais tarde, em 1923, que ele passou a produzir seus deleites congelados para vender em sua barraquinha de limonada, batizando-os de “Eppsicles”. Mais tarde o nome foi alterado e em 1924 ele patenteou o picolé (popsicle) e fundou a Popsicle Corporation. Em 1928, Epperson recebeu mais de 60 milhões de dólares em royalties sobre a venda de picolés. No ano de sua morte, em 1983, a Unilever pagou US$155 milhões para a Empire of Carolina Inc. pela marca “Popsicle”.
2. HARRY COOVER – SUPER BONDER

Harry Coover e um tal de Barack Obama
No auge da Segunda Guerra Mundial, o químico americano Harry Coover e sua equipe de pesquisa da Eastman Kodak trabalhavam na produção de um polímero transparente utilizando o cianoacrilato. Apesar de não terem obtido sucesso no objetivo primordial, em 1958 as propriedades adesivas do cianoacrilato tornaram-se um produto comercial, a Super Bonder. Sob a direção do Dr. Coover, a equipe de P&D da Kodak lançou 320 novos produtos fazendo com que o faturamento da companhia chegasse a US$2.5 bilhões. O Dr. Coover também desenvolveu uma cola aerosol para uso médico no Vietnã, que hoje é utilizada em cirurgias e para estancar o sangramento de úlceras. Em 2010 o Dr Coover foi condecorado com a Medalha Nacional de Tecnologia e Inovação por Barack Obama e até ao momento da sua morte, no mês passado, detinha 460 patentes.
3. WILLIAM HENRY PERKIN – MAUVEÍNA

William Henry Perkin mostrando seu vestidinho
O químico inglês William Henry Perkin tinha apenas 18 anos quando em 1856 ele se deparou com o corante sintético mauveína ao tentar produzir um medicamento contra a malária. Rapidamente ele patenteou o processo e no ano seguinte construiu a primeira fábrica de corantes artificiais do mundo. O corante tornou-se um sucesso e teve o seu auge quando a rainha Victoria usou um vestido de seda lilás na Exposição Real em 1862. Até o final de 1860 o corante, também conhecido como púrpura de anilina, tinha perdido seu apelo, mas Perkin já tinha feito sua fortuna. Logo depois que ele completou 36 anos, vendeu sua fábrica e comprou uma casa e um grande laboratório onde se dedicou a pesquisa até o fim da vida.
4. ROY PLUNKETT – TEFLON

Roy Plunkett sentado (na grana)
O pesquisador norte americano Roy Plunkett fazia experimentos com o gás refrigerante freon para a Dupont em 1938, quando esqueceu uma amostra ao relento. Pela manhã ela havia congelado, tomando o aspecto de uma cera esbranquiçada. Ao invés de descartá-la, ele fez testes para descobri as suas propriedades. Em 1945 foi registrada como Dupont Teflon e acabou tendo uma enorme variedade de aplicações, da cozinha até o isolamento de cabos, tornando-se uma verdadeira máquina de lucros. Plunkett ficou na empresa até a sua aposentadoria em 1975 como diretor de operações para os produtos freon. Desde então a Dupont ganhou bilhões com o Teflon.
5. LEO HENDRIK BAEKELAND – BAQUELITA

Leo Baekeland em seu laboratório
O químico belga Leo Baekeland tornou-se o patriarca dos plásticos, quando em 1907 ele desenvolveu o polímero baquelita, usada em rádios e telefones de cozinha. Ele procurava um substituto para a goma-laca, um verniz de revestimento e produtos de preservação da madeira. Quando ele pensou que tinha chegado perto, ele aqueceu a substância em uma panela de pressão, “baquelizando-a”. Assim nasceu a baquelita e em 1910 fundou a General Baekeland Bakelite Company. O plástico foi introduzido no mercado como “o material de mil usos”, e com ele chegaram ao mercado diversas falsificações, levando os produtos de baquelita a usarem selos de autenticidade. Quando descobriu a baquelita, Baekeland já era um homem rico pois a sua descoberta anterior, o Velox (uma técnica de processamento de papel) havia sido vendida por cerca de US$ 1 milhão. Perguntado por amigos por quê ele havia entrado na indústria de polímeros, ele teria respondido: “Para ganhar dinheiro.” Ele conseguiu o que queria e vendeu a sua companhia para a Union Carbide em 1939.
6. ROBERT CHESEBROUGH – VASELINA

Robert Chesebrough fazendo pose
Com vinte e dois anos, o químico Robert Chesebrough chegou a Pensilvânia em 1859 procurando um lugar na indústria do petróleo. Ele foi até um poço de petróleo e descobriu uma substância gosmenta conhecida pelos trabalhadores como “rod wax”. Chesebrough notou os trabalhadores usando a “rod wax” para curar cortes e queimaduras. O químico de espírito empreendedor levou para casa uma amostra para experimentação. Logo ele conseguiu extrair uma geléia de petróleo utilizável e em 1872 patenteou o processo antes da criação do negócio. No final dos anos 1880 Chesebrough vendia um frasco de vaselina por minuto para os americanos. As operações internacionais começaram logo em 1870 quando a empresa abriu um escritório em Londres, com filiais em Espanha e França. Em 1911, ele começou a abrir fábricas na Europa, Canadá e África. Chesebrough morreu em 1933, mas sua empresa continua a colher os frutos de sua descoberta há décadas. Pouco antes da Chesebrough-Lagoas ser vendida para a Unilever em 1987, ela havia faturado mais de US$ 75 milhões de dólares em lucros.
7. JOSEPH MCVICKER – PLAY-DOH (SUPER MASSA)

Joe McVicker e sua bendita cunhada
Antes de se tornar um brinquedo amado pelas crianças, por 22 anos a Play-Doh (ou Super Massa para os brasileiros) foi um limpador de papel de paredes. Em 1954, o americano Joe McVicker estava trabalhando para Kutol, empresa que produzia a limpadora de papéis de parede, quando sua cunhada aproximou-se dele com uma idéia. Ela havia levado algumas das massas limpas para a creche onde ela trabalhava (lembre-se que elas são atóxicas). As crianças foram à loucura e McVicker imediatamente viu uma oportunidade comercial. Ele acrescentou corantes e deu um cheiro de amêndoas a massa. Ele logo criou sua empresa, a Rainbow Crafts, como uma subsidiária da Kutol. Graças a sua perspicácia nos negócios, McVickers garantiu uma campanha publicitária de TV para o seu produto, um acordo inédito para uma empresa start-up naquela época. A Kutol continuou a vender latas de limpadores de papéis de parede a US$0,34, e vendia a Play-Doh (com o mesmo material) por US$1,50 a lata. A Play-Doh impulsionou as vendas da Kutol de menos de US$100.000,00 em 1954 para US$3 milhões em apenas quatro anos. Em 1960 McVicker entrou com pedido de patente e separou a Rainbow Crafts da Kutol. Em 1964 a General Mills ofereceu a McVicker US$3 milhões pela sua empresa, o equivalente a US $ 18 milhões hoje. Ele aceitou.
8. ARTHUR FRY – POST-IT

Arthur Fry fazendo graça
O cientista norte-americano Arthur Fry recebeu um presente de Deus em um domingo de 1973, quando teve a idéia do Post-it enquanto cantava no coro da igreja. Pouco antes, o pesquisador da 3M havia assistido um seminário do cientista aposentando (também da 3M) Spencer Silver. Silver tinha descoberto um adesivo único, mas não havia encontrado uma aplicação viável comercialmente para o mesmo. Fry teve seu momento eureka quando o papel de rascunho que ele usava para marcar seu livro de cânticos continuamente caía, fazendo com que ele perdesse a página em que estava. Imediatamente ele pensou no adesivo de Silver. Demorou sete anos para o produto Post-it ser lançado, mas hoje mais de 400 produtos derivados da idéia são vendidos em todo o mundo, com cerca de 6.000 milhões de Post-it vendidos ao ano. Fry ganhou uma promoção pelo feito e atualmente está desfrutando de uma aposentadoria confortável.
9. PERCY SPENCER – FORNO MICROONDAS

Percy Spencer de boca aberta
O engenheiro americano Percy Spencer fazia experiências com um dispositivo usado para detectar aviões inimigos durante a 2 ª Guerra Mundial, quando as microondas transmitidas a partir do radar derreteram uma barra de chocolate que ele tinha no bolso. Spencer começou então um projeto secreto de codinome “Weenie Speedy”. No final dos anos 1940, a Raytheon patenteou o uso de microondas para cozinhar alimentos. Os microondas de primeira geração eram grandes e caros, mas em 1975, 14% dos lares americanos já o utilizavam. Spencer, que obteve 150 patentes durante sua vida, tornou-se vice-presidente sênior e membro sênior do Conselho de Administração da Raytheon. Seu legado ajudou a fabricante de microondas a faturar mais de US$25 bilhões no ano passado.
10. GEORGE DE MESTRAL – VELCRO

George de Mestral, o homem que o carrapicho tornou rico
O engenheiro suíço George de Mestral estava fazendo seu passeio matinal pelo campo em 1941, quando ele notou o quão difícil era remover as flores de cardo da montanha que grudavam em suas calças. Ele examinou as flores em um microscópio e viu centenas de pequenos ganchos, o que explicava propriedades adesivas do cardo. Com sua formação científica, de Mestral começou a trabalhar em um sistema de fixação inovador, dez anos depois nasceu o Velcro. De Mestral obteve uma patente na Suíça e seus produtos começaram a chegar às prateleiras em toda a Europa pelo final dos anos 50. Entretanto, demorou algum tempo antes que ele obtivesse um retorno dos seus esforços. O Velcro não foi popularizado até os anos 70, quando os astronautas da NASA começaram a utilizá-los nos trajes espaciais. De Mestral estava vendendo mais de sessenta milhões de metros de velcro por ano quando ele vendeu a empresa e os direitos de patente mundial para Velcro SA, uma empresa suíça (mais tarde Velcro Internacional). Antes de sair ele deu aos executivos da empresa um conselho: “Se algum de seus funcionários pedir férias de duas semanas para ir caçar, digam sim”. De acordo com a sua mulher, ele viveu de royalties nos restantes 30 anos de sua vida.
Via: Business Pundit
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